SAMBAQUIS |
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A PALAVRA SAMBAQUIS É DE ORIGEM INDÍGENA NA
LÍNGUA TUPI |
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| Encontrados em quase toda a costa brasileira, os sambaquis apresentam-se sob a forma de pequenas elevações formadas sobretudo de restos de alimentos de origem animal (carapaças de moluscos; fragmentos de ossos de répteis, aves, peixes e mamíferos); esqueletos humanos; artefatos de pedra, concha e cerâmica; vestígio de fogueira e outras evidências da presença do homem primitivo na área litorânea composta pela restinga. |
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| Os sambaquis começaram a ser descoberto no início dos anos 70 com o crescimento da cidade de Saquarema. Ao serem abertas novas ruas ou realizada alguma movimentação de terra, começaram a surgir esses cemitérios. Isso logo despertou o interesse de arqueólogos do Museu Histórico Nacional, entre esses a professora LINA KNAIPP (já falecida), associada da ADEJA - Associação de Defesa do Meio Ambiente de Jacarepiá. Alguns desses trabalhos estão à disposição para consultas, no acervo da entidade, juntamente com pesquisas sobre os indígenas que habitavam a mesma região. |
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Os
sambaquis possuem forma e tamanhos variáveis: alguns têm até 400 m de extensão
e, excepcionalmente, alcançam 30 m de altura. Localizam-se também nas margens dos rios e lagoas do interior, mas são encontrados, em maior quantidade no litoral. Também são conhecidos como concheiros, ostreiras, casqueiros, berbigueiros e sernambis. |
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| A área de Saquarema possui cerca de 24 sítios arqueológicos, alguns com data em torno de 4.500, sendo onze deles considerados em estado precário e os restantes destruídos. O mais conservado de todos é o da Beirada, que fica ao sul de Saquarema entre a lagoa e a praia. Recentemente foi descoberto vestígios de um dos mais antigos, encontrado por ocasião da escavação para assentar o alicerce de um prédio junto a praça da igreja centenária de N.S. Nazareth, marco histórico da antiga vila do município. |
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Com
base na informação dos sambaquis conclui-se que o povo brasileiro já
gostava de morar na praia desde a época em que os antigos egípcios
erguiam suas pirâmides. Por milhares de anos, esse homem primitivo
viveu das coisas tiradas do mar, criando uma dependência tão grande
que ele morava, comia e enterrava os mortos nos mesmos lugares. Assim,
após muitas gerações de ocupação acabavam formando esses pequenos
morros hoje conhecidos como sambaquis. Essa gente da praia já estava extinta há mais de mil anos quando Cabral aportou no Brasil. Os sambaquieiros dominaram uma vasta parcela do litoral, da Bahia ao Rio Grande do Sul. Estudiosos, como a arqueóloga Maria Cristina Tenório, do Museu Nacional, dizem que a maioria foi destruída no período de colonização, já que ficava exatamente nas primeiras áreas ocupadas. Porém, lugares como Saquarema, Búzios, Ilha Grande e o fundo da Baía de Guanabara (Guapimirim e Magé), ainda têm sítios arqueológicos importantes, chegando alguns a alcançar mais de 30 metros de altura. As mais antigas datações confirmadas de sambaquis têm 5.500 anos, mas os cientistas estimam que essa ocupação do litoral remonte a oito mil anos. Os mariscos eram a parte fundamental da alimentação dos sambaquieiros e suas conchas são o mais importante e abundante vestígio de sua passagem pela Terra. A origem dos sambaquieiros é misteriosa, bem como seu desaparecimento. O que se sabe é que desenvolveram uma sociedade complexa. Os sambaquis foram simultaneamente morada, sepulcro e, talvez, símbolos religiosos e estratégicos. Seus vestígios representam verdadeiros microcosmos da pré-história do litoral, de onde foram retirados centenas de corpos e milhares de artefatos, incluindo armas e adornos. Os sambaquieiros desenvolveram uma cultura totalmente adaptada ao mar e diferente de outros povos pré-históricos. Não eram caçadores-coletores nômades. Eles dependiam muito da coleta de moluscos, mais previsível e que permitia uma coleta organizada e o assentamento. A dieta diferenciada também deu aos sambaquieiros, em geral, uma constituição física mais robusta do que a de outros grupos pré-históricos brasileiros. A especialista em antropologia biológica Sheila Mendonça de Souza, do Museu Nacional e da Fundação Oswaldo Cruz, diz que, em linhas muito gerais, os homens tinham 1,60m e as mulheres não costumavam passar de 1,55m. Mas havia diversidade e provavelmente existiam vários grupos, considerando também que o estudo abrange apenas de cinco mil anos de ocupação. Devido sua fragilidade e por não contarem com qualquer proteção, o legado dos sambaquieiros está ameaçado e os sambaquis remanescentes estão sendo completamente destruídos e correm o risco de desaparecer, vítimas da especulação imobiliária e do abandono. |
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Restinga
- História de Saquarema |
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