MICO-LEÃO-DOURADO

(Leontopithecus rosalia)

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O    MICO-LEÃO-DOURADO 
cujo nome científico é Leontopithecus rosalia, é um primata da família dos calitriquídeos (Callitrichidae), sendo o mais conhecido e cobiçado do gênero devido ao seu comportamento dócil e a exuberância de sua pelagem, que varia do amarelo-ouro ao ruivo-avermelhado. Os pelos da cabeça são mais longos, o que faz lembrar a juba de um leão.

         A ORIGEM DA ESPÉCIE 
O primeiro relato sobre a existência do mico-leão-dourado data do ano de 1558, através do diário de bordo de um marinheiro francês chamado Jean de Lery.
        Em 1757, nove anos antes que a espécie fosse classificada por Lineu Brisson, a famosa Madame Pompadour costumava desfilar pelos salões parisienses exibindo um mico-leão à tira-colo. 

Foto AMDL
       

           Foi também o mico-leão, inventariado pelo príncipe austríaco Maximilian zu Wied (1815), aventureiro que se embrenhava nas matas desde o Rio de Janeiro até a área onde é hoje a região dos lagos fluminenses, caçando e empalhando animais para enriquecer as coleções dos museus estrangeiros da época.  
          Existem atualmente quatro espécies conhecidas de micos-leões todas encontradas somente no Brasil:  mico-leão-dourado (L.rosalia) no Rio de Janeiro; mico-leão-de-cara-dourada (L.chrysomelas) encontrado na Reserva Biológica de Una no sul da Bahia; mico-leão-preto (L.chrysopygus) encontrado no Morro do Diabo, Pontal do Paranapanema (SP) e o mico-leão-de-cara-preta (L.caiçara), descoberto pelas biólogas brasileiras Vanessa G.Persson e Maria Lucia Lorini, em 1990, no Parque de Superagüi, litoral do estado do Paraná.
        A Mata Atlântica, onde vivem as quatro espécies de mico-leão, é o segundo ecossistema mais ameaçado do planeta e o mais fragmentado do Brasil, sendo que o habitat do mico-leão-dourado foi reduzido à apenas 2% de sua área original.

ORGANIZAÇÃO DA ESPÉCIE

           Normalmente o mico-leão-dourado é monogâmico. Nascem dois gêmeos fraternos por ano, após uma prenhez de 135 dias com o peso de aproximadamente 70 grs. Os filhotes ficam agarrados à mãe nesta primeira fase, cabendo ao pai transportá-los e protege-los mais tarde. Sua alimentação é a base de insetos, pequenos invertebrados e frutos silvestres. A fase adulta só ocorre após um período de 13 meses, chegando alguns micos a viverem até 15 anos. Um mico adulto mede aproximadamente 60 cm, sendo 35 cm de cauda e pesa cerca de 550 gr. Os grupos familiares de micos-leões são em número de cinco a seis indivíduos, constituídos pelo macho patriarca, apenas uma fêmea reprodutora e seus descendentes. Cada grupo define um território em torno de 40 hectares, defendendo-o de eventuais intrusos de outras famílias.
           Pesquisas realizadas pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), apresentam um repertório de vocalizações utilizado pelos micos. Filhotes até nove meses são "barulhentos e chorões" vocalizando mais alto e mais freqüentemente que os adultos a fim de serem prontamente atendidos. Quando os filhotes estão brincando, emitem sons específicos que dado o barulho podem atrair predadores; nessa hora, os pais ficam silenciosos e supostamente vigilantes para proteger sua prole.

A ALIMENTAÇÃO

             Como têm hábitos essencialmente diurnos, dormem toda a noite, aproveitando antigos ninhos ou cavidades naturais das árvores, reiniciando suas atividades logo ao nascer do sol, em busca de alimentação. A dieta básica dos micos consiste em frutos, insetos e pequenos répteis arborícolas. Vez por outra, assaltam ninhos de passarinhos para roubar-lhes os ovos ou comerem os filhotes. Pererecas e gafanhotos constituem-se em uma de suas principais fontes de proteínas, essenciais à manutenção da pelagem e a exuberância de sua cor. Apesar de ser a pixirica a fruta preferida pelos micos, fazem parte do seu cardápio mais de 60 plantas e frutas silvestres segundo o "Manual de Flora Associada a Fauna" publicado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

MICOS-LEÕES-DOURADOS EM SAQUAREMA

           Micos-leões-dourados vivem, ainda, refugiados no que restou do seu habitat primitivo, na faixa litorânea ao norte do município de Saquarema. A primeira devastação desse rico ecossistema ocorreu entre os anos de l930 e 1940, quando, para o combate ao mosquito transmissor da febre amarela, queimou-se, de forma equivocada, um inestimável tesouro botânico e, conseqüentemente, grande parte do habitat dos micos-leões-dourados.
         Posteriormente, no final da década de 70, empreendimentos imobiliários destruíram enormes extensões da mata de restinga, drenaram os brejos e aterraram a faixa marginal da Lagoa de Jacarepiá. A partir daí, dezenas de micos-leões-dourados abrigaram-se na mata contínua que hoje é parte integrante da Reserva Ecológica Estadual de Jacarepiá (cerca de 120 hectares) e nos fragmentos florestais próximos e em bom estado de conservação.
          A partir da década de 80, um grupo de ambientalistas criou a ADEJA - Associação de Defesa do Meio Ambiente de Jacarepiá, com o objetivo de deter a devastação que vinha ocorrendo na área onde viviam os micos-leões-dourados, e, dessa forma, protege-los. Várias ações foram deflagradas para a salvaguarda daquele ecossistema, o que resultou na criação da Reserva Ecológica de Jacarepiá (Decreto 9529-A de 15-12-86 - D.O. 30-01-87).
            Entretanto, apesar de ter sua presença comprovada cientificamente em 1992 e de habitar uma Unidade de Conservação, continuaram os micos-leões, ameaçados pelo tráfico de animais silvestres e pela contínua destruição de seu habitat.
            Foi então realizada em 1996, em caráter emergencial, a translocação (resgate e transferência para outro local, de animais vivendo sob intensa ameaça) de 11 micos para a REBIO União, acreditando-se, na época, ser este o total da população existente na Reserva de Jacarepiá. Mas para a surpresa de todos, vários micos-leões-dourados foram posteriormente avistados, em inúmeras ocasiões, no interior da Reserva e nas proximidades, não sendo possível, entretanto, precisar quantos são, nem em que condições estavam vivendo. Ainda hoje a presença desses micos continua sendo uma questão polêmica, envolvendo interesses diversos, tanto por parte das entidades envolvidas, como do Poder Público.

AS PESQUISAS SOBRE A ESPÉCIE

          As pesquisas sobre o mico-leão-dourado começaram a partir de 1960, com os trabalhos dos Profs. Adelmar F. Coimbra Filho e Alceu Magnanini. Naquela época era comum a venda desses animais em feiras-livres da baixada e da região dos lagos fluminense o que propiciou o tráfico de grande número de animais para o exterior. Somente após a decretação da Lei de Proteção à Fauna (5.197/67), houve uma diminuição no comércio ilegal de micos-leões, mas, ainda hoje, é possível encontrar criadouros clandestinos dessa espécie, apesar da fiscalização e da conscientização existentes.
        Em 1992 foi criada a AMLD (Associação Mico-Leão-Dourado) com o objetivo de desenvolver e implementar estratégias para salvar da extinção a espécie que, na época, estava criticamente ameaçada.   Através do contínuo estudo e monitoramento do comportamento dos micos e utilizando todas as informações obtidas ao longo destes anos, foi possível, para aquela instituição definir estratégias de manejo e conservação para a espécie. Uma das características marcantes do Projeto Mico-Leão-Dourado é o uso de técnicas de reintrodução e translocação de animais. A reintrodução consiste em promover a reprodução em cativeiro de famílias de micos-leões-dourados que depois são soltas no seu habitat natural, após um período de preparação. Com a reintrodução foram devolvidos à liberdade 147 micos-leões-dourados nascidos em zoológicos do mundo todo, através da soltura dos animais nas matas existentes em propriedades particulares ao redor da REBIO de Poço das Antas.
          As translocações de micos-leões-dourados começaram a ser feitas em 1994. Os animais são retirados das áreas consideradas inadequadas para sua sobrevivência e soltos em espaços maiores e mais protegidos, com capacidade para garantir o crescimento futuro da população. Além de salvar e integrar grupos de micos-leões isolados, evitando a consangüinidade, a translocação permite a realização de estudos sobre comportamento animal, alimentação, etc.
            São necessários 25 mil hectares de mata para manter uma população de 2000 micos-leões, o mínimo necessário para evitar a extinção da espécie. Este número só será atingido, mantidas as atuais condições, no ano de 2025. Para isto, é preciso recuperar parte da Mata Atlântica e assim garantir espaço suficiente para que o mico-leão-dourado consiga se alimentar e se reproduzir. Atualmente só existem 16.600 hectares assegurados e a população atual de micos-leões já ultrapassou a mil vivendo em liberdade, ou seja, estamos na metade do caminho.
            O esforço e os recursos aplicados na proteção e recuperação das populações de micos-leões-dourados não visam apenas preservar um belo animal, por mais importante que ele seja. O mico-leão-dourado é, na verdade, uma espécie-bandeira, um símbolo da conservação da Mata Atlântica. Preservar o mico-leão-dourado significa preservar o que resta desse importante ecossistema tão ameaçado e também preservar inúmeras outras espécies que convivem com ele.
           Espécies-bandeira como o mico-leão cumprem ainda um importante papel na mobilização da sociedade, fator fundamental para o sucesso de ações de conservação.

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