OS  INDÍGENAS 
  DA REGIÃO DOS LAGOS FLUMINENSE

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A ERA PRÉ-HISTÓRICA

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         A grande biodiversidade dos ecossistemas da planície marinha da região dos lagos fluminense atraiu povos pré-históricos não muito conhecidos, originários do Planalto Central, que desceram pela Serra do Mar e passaram a excursionar até o litoral. Com certeza foram seduzidos pela maior variedade da flora – os manguezais, a vegetação paludosa das baixadas – e pela floresta seca de restinga, onde era abundante a caça, raízes e frutos. Entretanto, as maiores facilidades de subsistência para esses humanos eram oferecidas pela presença de imensos bancos de moluscos, em especial ostras e mexilhões a exemplo do material encontrado em Saquarema - RJ.

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OS PRIMEIROS HABITANTES

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         A configuração da ocupação pré-histórica dessa área de Saquarema foi verificada nas sucessivas camadas das escavações realizadas nos sítios arqueológicos (sambaquis) conforme mostra os trabalhos realizados pela arqueóloga, associada da ADEJA, Lina Kneipp, juntamente com outros pesquisadores do Museu Nacional.
         Depois vieram os índios goitacás que preferencialmente ocuparam as áreas dos brejos, construindo cabanas sobre estacas nos alagados, destacando-se como excelentes nadadores. Por serem essencialmente nômades, tinham uma agricultura insipiente e baseavam sua subsistência na coleta fácil, na pesca rudimentar e na caça de pequenos animais em áreas próximas da aldeia.
         Por volta do ano 1500 chegaram ao litoral sudeste grandes contingentes da nação indígena tupinambá, originários do sul, desalojando assim os goitacás com os quais mantiveram um permanente e intenso conflito.
      Com maior capacidade de adaptação à natureza dos brejais e restingas, os tupinambás desenvolveram uma subsistência mais sólida, baseada na agricultura e melhores técnicas pesqueiras, fato que os tornavam semi-sedentários. Haviam desenvolvido a mais avançada forma de construção naval entre os índios brasileiros, chegando as suas canoas de guerra a medir treze metros de comprimento, podendo transportar até trinta guerreiros.

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           Escavações arqueológicas encontraram vestígios mostrando que o período de permanência desses povos indígenas em cada sítio, variava de acordo com a quantidade de recursos do meio ambiente em torno da aldeia. Quanto mais profundas as camadas dos sambaquis, maiores as carapaças de conchas e ossos de animais. A medida que diminuíam de tamanho, estava sinalizada a hora que aquele grupo iria abandonar o local para se alojarem noutro ponto com maior fartura de caça e bancos de moluscos aproveitáveis.
          Os restos encontrados de lascas de quartzo que serviam como facas, raspadores e outros utensílios utilizados por esses povos coletores, indicam o grau de desenvolvimento que haviam chegado cada grupo em relação a sua cultura.

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O INÍCIO DA EXPLORAÇÃO

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            Logo após os primeiros anos do descobrimento do Brasil, a região litorânea ao norte do Rio de Janeiro encantou os portugueses pela exuberância de sua fauna e flora. O pau-brasil abundante naquelas matas, bem como a necessidade da mão-de-obra escrava dos silvícolas, mobilizou a incursão de uma esquadra comandada por Américo Vespúcio, que lançou âncoras em vários pontos da região dos lagos fluminense.

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      Naquela época, a Lagoa de Saquarema possuía uma permanente ligação com o mar, permitindo a entrada de embarcações chamadas batel, através do contorno do rochedo onde atualmente se localiza a Igreja de Nossa Senhora de Nazareth. Durante as marés altas, os batéis saíam carregados de macacos, papagaios, além de cernes de ibirapitanga (nome indígena do pau-brasil), em direção as caravelas ancoradas na enseada da Ilha de Cabo Frio.

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A RESISTÊNCIA INDÍGENA

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     Porém a resistência dos tupinambás, aliada à problemas de abastecimento d’água (a fonte mais próxima era a Lagoa de Jacarepiá, cerca de 10 km por dentro do território ocupado pelos índios), fizeram com que os desbravadores portugueses desistissem da área de Saquarema, transferindo suas incursões para mais ao norte, na Enseada de Manguinhos (Armação de Búzios) e a Baía Formosa junto a foz do Rio São João.
         Outros pontos propícios a realização de ancoradouros intensificaram a exploração do pau-brasil e a sistemática caça aos índios guerreiros para mão de obra escrava e a submissão das mulheres-índias à conjunção sexual, rompendo-se assim as bases culturais e de subsistência desse povo.
        
Devido as facilidades de outros ancoradouros naturais na área da barra da lagoa de Araruama e da praia do Anjos (Arraial do Cabo), os franceses que haviam sido expulsos da baía de Guanabara, logo se estabeleceram, criando acampamentos de onde partiam para atacar seus inimigos portugueses. Para tanto, contavam ainda com uma aliança feita com os índios Tamoios, igualmente expulsos ou fugitivos da escravidão.

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A DERROCADA FINAL

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            Nessa mesma época, o governo militar da capitania do Rio de Janeiro, organizou uma expedição composta por cabos-de-guerra paulistas e 700 índios flecheiros tupiniquins, sob o comando de 400 portugueses. Após violenta batalha, os franceses foram finalmente derrotados, sendo mortos ou escravizados cerca de dez mil índios. Entre os novos escravos encontravam-se milhares de tupinambás, até então protegidos pelos franceses, cuja relação era o interesse pela tintura extraída do ibirapitanga (pau-brasil) e de outras plantas tintureiras como o murici, ainda hoje abundante na área da Reserva Ecológica de Jacarepiá, ao norte de Saquarema/RJ.
          Com a derrocada dos tupinambás, seus inimigos naturais, os goitacás que haviam sido anteriormente expulsos para o interior e norte, retornaram à região dos lagos, reassumindo seu antigo território. Fato até certo ponto facilitado pelos portugueses, que uma vez livres dos seus inimigos franceses, desistiram de colonizar a região.
            Desprotegida, a área agora ficou à mercê de navegadores ingleses e holandeses. No ano de 1615, a fim de manter o monopólio do pau-brasil e outras árvores-tinturas da colônia, a coroa portuguesa ordenou que o governador militar do Rio de Janeiro ocupasse definitivamente a região dos lagos.  A área então foi fortificada, sendo guarnecidos todos os locais que serviam de ancoradouros e mantida uma permanente vigilância sobre o litoral sudeste.
            Foi escolhida como base de apoio, a recém fundada cidade de Nossa Senhora de Assumpção de Cabo Frio. Entretanto, os goitacás, que haviam se restabelecido no litoral entre a Serra do Mato Grosso e Arraial do Cabo, compreendendo a faixa da restinga onde hoje se localiza a praia de Massambaba, começam a criar obstáculos aos intentos dos colonizadores.
            Sem muitas armas e recursos humanos para se defenderem os portugueses armaram então um plano sinistro, considerado ainda hoje como a primeira guerra biológica do novo mundo: a exemplo do que ocorreu no período medieval, onde pedaços de carne humana contaminados com a peste negra eram catapultados para dentro das muralhas dos castelos; foram espalhados entre as trilhas indígenas da área litorânea de Saquarema, centenas de pedaços de roupas de cadáveres, contaminadas pelo vírus da varíola. Sem qualquer imunidade ou remédio para essa doença do branco, milhares de goitacás morreram, sendo assim dizimadas aldeias inteiras, deixando livre o caminho dos mateiros.
             Ainda no século XVIII, estratégia semelhante foi usada na cidade do Rio de Janeiro. Para construir engenhos de cana nas terras onde se situa hoje o bairro da Gávea, o governador Antônio de Salema mandou que se espalhassem presentinhos nas árvores, juntamente com roupas e objetos contaminadas de varíola, a fim de matar os índiosTamoios remanescentes naquela área
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HIPERLINKS CORRELACIONADOS NESTA PÁGINA :

Sambaquis  - Reserva Ecológica  - Saquarema
Brejos  -  Restinga  -  Mico (macaco)
 Lagoa de Jacarepiá 

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